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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Os Autistas pensam semelhante aos animais! Por Temple Grandin ( Daniela Bolzan)

Os animais pensam? Sim. Como os autistasTemple Grandin, pesquisadora norte-americana, afirma que os mecanismos do "pensamento" animal são os mesmos das pessoas autistas.




Estudiosa do autismo, a norte-americana Temple Grandin (ela própria autista) diz que sua forma de ver o mundo pode ajudar a compreender como pensam os animais. Ao comparar mecanismos do “pensamento” animal com os de autistas, ela aproxima os animais dos seres humanos e lança as bases de uma grande polêmica científica
Quem ainda não parou, tocado no fundo do coração, diante do olhar intenso e meigo de um cão labrador? Se você é ligado em animais, sejam selvagens ou domésticos, certamente já se pegou admirado diante de tanta expressividade e se perguntou: será que eles pensam? E, se pensam, o que pensam? Para a ciência, essa também é uma pergunta recorrente, origem de inúmeras pesquisas, centenas de dúvidas e muitas, muitas controvérsias. Uma delas diz respeito aos novos estudos realizados pela pesquisadora norte-americana Temple Grandin.
Recentemente, ela sacudiu os meios acadêmicos ao afirmar não apenas que os animais pensam, mas também ao lançar uma teoria para explicar como eles o fazem. Mais que isso: Temple deixou cientistas de cabelo em pé quando comparou a mente de um animal à mente de um ser humano autista. Para ela, animais e pessoas com autismo têm a mesma forma de ver mundo e os mesmos mecanismos de “pensamento”.
Absurdo? Pode parecer, embora boa parte dessa polêmica seja amenizada diante do fato de que a própria autora dessa teoria é autista e conhece o assunto de um ponto de vista muito particular, único na história da ciência. Aos 62 anos, Temple faz parte de uma estatística que aponta 20 casos a cada 10 mil pessoas (quatro vezes maior nos homens, de acordo com a Sociedade Americana de Autismo), com vários níveis de comprometimento do cérebro. No caso da pesquisadora, o autismo manifestou-se num grau considerado baixo, o que permite que ela leve uma vida muito próxima dos padrões de normalidade, interagindo perfeitamente com o mundo que a cerca.
O termo autista, que provém do grego (autos significa “de si mesmo”), foi usado pela primeira vez em 1906, pelo psiquiatra Plouller, mas foi entre 1943 e 1944 que os pesquisadores Leo Kanner e Hans Asperger lançaram as bases para o estudo mais sistemático do problema. Hoje, o que se sabe é que o autismo é um transtorno definido por disfunções físicas no cérebro, ocorridas antes dos 3 anos de idade, e caracterizado por perda da comunicação, distúrbios nas habilidades físicas e linguísticas, e em dificuldades na interação social.
Fonte: Revista Planeta

domingo, 4 de março de 2012

Cérebro de autistas tem alterações aos 6 meses de idade - ( Daniela Bolzan)

Um novo estudo feito na Universidade da Carolina do Norte descobriu diferenças significativas no desenvolvimento do cérebro aos seis meses de idade em crianças com alto risco que desenvolveram autismo mais tarde, comparado às crianças de alto risco mas que não tiveram a doença diagnosticada.

"É uma descoberta promissora", diz Jasno Wolff, líder do estudo. "Neste ponto, é um passo preliminar mas enorme em direção ao desenvolvimento de um biomarcador para risco para diagnosticar a doença", acrescenta.

O estudo também sugere que o autismo não aparece repentinamente nas crianças pequenas, mas se desenvolve ao longo do tempo durante a infância. Isso aumenta a possibilidade "de sermos capazes de interromper o processo com uma intervenção adequada", diz.

Os resultados são os mais recentes do estudo em andamento Infant Brain Imaging Study (IBIS). Os cientistas avaliaram 92 crianças que tinham irmãos mais velhos com autismo e que, portanto, eram considerados de alto risco para a doença. Eles passaram por exames de ressonância magnética aos 6 meses de idade e testes de comportamento aos 24 meses. A maioria também passou novamente por exames de imagem aos 12 e 24 meses.

Com dois anos de idade, 28 crianças (30%) preencheram os critérios desordens do autismo, enquanto 64 (70%) não. Os dois grupos tinham diferenças no desenvolvimento das fibras da substância branca - que conectam regiões do cérebro.

"A evidência, que implica múltiplos caminhos de fibras, sugere que o autismo é um fenômeno do cérebro todo e não de regiões isoladas", diz Wolff.

Fonte: Saúde Pesquisas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Psiquiatra de Yale vai lançar enciclopédia sobre autismo (Daniela Bolzan)

O psiquiatra Fred Volkmar, 61anos, professor da Universidade Yale (EUA), está trabalhando em uma enciclopédia, que será lançada no ano que vem, sobre todos os transtornos que se encaixam na nomenclatura do autismo.


Fred Volkmar, especialista em autismo e psiquiatra da Universidade Yale, em durante visita a São Paulo em agosto
Fred Volkmar, especialista em autismo e psiquiatra da Universidade Yale, em durante visita a São Paulo em agosto


O americano falou à Folha sobre novas pesquisas que abordam a criação de testes físicos que detectem o autismo em bebês. Volkmar participou também da gravação de um documentário da ONG Autismo e Realidade.
Folha - Por que o autismo precisa de uma enciclopédia?
Fred Volkmar - Tem muita pesquisa sobre autismo saindo todos os dias, é difícil para os pais acompanharem tudo isso. Esse trabalho vai ser referência e vai estar na internet. Isso é importante por causa da explosão do autismo no Google: são mais de 17 milhões de páginas. Os pais ficam muito confusos.

Hoje, o rastreamento de autismo é feito por meio de questionários aplicados aos pais das crianças. Isso não é ruim, mas começa aos 18 meses. As perguntas são coisas muito básicas, do tipo, se o bebê não responde ao próprio nome. Queremos fazer o diagnóstico muito mais cedo para intervir mais cedo.

Enquanto não há teste genético, vai dar para fazer exame físico para autismo?
Há muitas causas para perda de audição, mas ninguém faz teste genético para isso. Você faz um teste de audição. Há a possibilidade de fazer testes de autismo com o mesmo princípio de um teste auditivo, que tenham a ver com fisiologia. Temos dados que mostram que autistas não veem rostos da mesma maneira como as outras pessoas. Esse tipo de coisa pode dar origem a um teste de rastreamento para autismo.


Pode se falar em buscar uma cura para o autismo?
Se falamos sobre ter uma vida independente, sim. O que queremos é que a criança funcione na sociedade. Todo mundo conhece gente excêntrica, há um espectro grande do que se considera normal. Se conseguirmos que a pessoa se encaixe entre o que é considerado normal, estamos satisfeitos. É assim que eu imagino a cura.

Grata Daniela Bolzan
Fonte: folha bol.com

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Autismo: a desinformação é o maior inimigo- (Daniela Bolzan)



A dentista Josélia Louback aguarda apreensiva a liberação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma caixa com injeções de Metil B12,  vitamina fundamental para que seu filho Arthur, autista de 7 anos, possa continuar o tratamento que tem melhorado, e muito, seu estado geral.
O Metil B12 é apenas um dos diversos suplementos que pais de autistas são obrigados a importar para tratar de seus filhos, já que o Brasil carece de produzir, e até de comercializar, vários desses produtos. Alguns deles, que têm uso liberado nos EUA e na Europa, ainda são proibidos por aqui. Além dessa dificuldade, a burocracia para importar os suplementos muitas vezes causa descontinuidade no tratamento.
- É sempre a mesma burocracia – desabafa Josélia. – Toda vez que eu preciso trazer o Metil B12 eu tenho que preencher uma ficha enorme, explicar por que o Arthur precisa e o que poderia acontecer com ele caso não utilizasse o suplemento.
Uma caixa com dez doses de Metil B12 custa, em media US$ 55 (em torno de R$ 90), mais cerca de 80% de imposto. Cada caixa, no caso de Arthur, dura um mês.
A pouca ou quase nenhuma estrutura do sistema de saúde brasileiro em relação ao autismo não se resume ao tratamento, mas também ao dianóstico. Josélia e inúmeros outros pais quase sempre contam casos parecidos: seus filhos autistas começaram a apresentar os sintomas por volta dos 2 anos, mas precisaram percorrer uma via-crúcis de médicos, até que um deles – em vários casos, os próprios pais davam o diagnóstico – sugerisse que a criança era autista.
- Comecei a perceber que havia algo errado com o Arthur quando ele tinha 1 ano e meio – lembra a dentista. – Mas só aos 4 anos ele obteve o diagnóstico de autismo.
Josélia garante que levou seu filho “nos melhores e mais renomados médicos do Rio de Janeiro”, e que nenhum foi capaz de diagnosticar a síndrome.
- Para você ter uma ideia, uma das médicas é professora de psicopatologia e psicodiagnóstico da Uerj. E ela não foi capaz de perceber que meu filho era autista – desabafa. – Uma psicóloga chegou a dizer que o que ele tinha era um trauma psicológico, e que a culpa era minha, porque eu não amava meu marido e descontava isso no Arthur. Vê se pode uma coisa dessas! Ela ainda perguntou se eu amava realmente o meu filho!
Até ser diagnosticado e iniciar o tratamento correto, Atrhur não falava, não atendia quando o chamavam pelo nome, praticamente não olhava nos olhos de ninguém e só prestava atenção na televisão e em objetos giratórios, além de gritar pela casa praticamente durante todo o dia. Um comportamento clássico de autismo que os médicos não souberam interpretar.
O diagnóstico veio, enfim, por meio de uma pediatra, que admitiu sua ignorância em relação a como realizar o tratamento:
“Ela foi super-honesta e sincera”, lembra Josélia. “ Me disse ter certeza de que meu filho era autista, mas que não tinha a menor ideia de como tratá-lo”.
A sinceridade da médica, segundo Josélia, foi o que ajudou seu filho:
“Ela me deu o melhor conselho. Me mandou procurar alguma associação de pais de autistas porque, segundo ela, eles entenderiam mais da síndrome que muitos médicos”.
Josélia então saiu de sua casa em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, e foi morar em Niterói, em frente à sede da Associação em Defesa do Autista (Adefa), formada por pais de autistas. Foi lá que Arthur começou o tratamento que hoje lhe permite falar, olhar nos olhos, cumprimentar repórteres que vão à sua casa e fazer a avó chorar no telefone ao pedir a ela, por iniciativa própria, que lhe traga um simples suco de laranja.
Fonte: Jornal do Brasil
Grata: Daniela Bolzan

terça-feira, 7 de junho de 2011

Autismo, Esquizofrenia e Retardo Mental têm uma base genética comum (Daniela Bolzan)


Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Rouen (norte da França) afirmam ter descoberto uma base genética comum para o autismo, a esquizofrenia e o retardo mental, informou nesta quarta-feira a equipe de neurogenética do laboratório Inserm U 614.
A equipe comparou as desordens genéticas de 750 pacientes - divididos em três grupos - que sofrem respectivamente de autismo, esquizofrenia e retardo mental.
"Encontramos os mesmos tipos de alteração nos mesmos genes envolvidos nessas enfermidades nos três grupos", assegurou Audrey Guilmatre, que faz parte da equipe de neurogenética dirigida pelo doutor Dominique Campion.
A equipe estabeleceu, por outro lado, que os genes alterados são os que desempenham um papel nas conexões dos neurônios.
"Esse tipo de alteração só foi descrito recentemente e, por isso, está se trabalhando seriamente no que significa", explicou Guilmatre.
Segundo a pesquisadora, esta descoberta possibilita uma nova aproximação dessas doenças que, até agora, eram consideradas completamente diferentes.
"Isso torna possível ter como objetivo de estudo o mecanismo de transmissão entre os neurônios, melhorar o diagnóstico e, a longo prazo, achar moléculas que possam tratar essas enfermidades", acrescentou.
O trabalho da equipe, que estudou 28 genes e continuará seus trabalhos com outros, foi possível pela existência de um banco genético da Fundação Autismo.
Este organismo, que reúne famílias de crianças autistas, classificou a descoberta de muito importante.
"Nunca antes se havia descoberto uma grande porcentagem de pessoas autistas com a mesma anomalia genética nem uma evidência de anomalia genética comum entre autismo, esquizofrenia e retardo mental", declarou a fundação em um comunicado.
Depois desta descoberta, a fundação disse confiar "na ideia de que tratamentos moleculares, celulares e eventuais meios de prevenção estão realmente mais próximos".
Fonte; R7.com
Abraços
Daniela Bolzan

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O"I PAD" , um dispositivo "milagre" para o autismo.( Daniela Bolzan)




Laura Holmquist Os pais de Hudson Holmquist, um autista de 3 anos de idade, dizem que o IPAD tem sido uma tremenda ajuda lidar com a doença de seu filho. Steve Jobs, pediu-lhe um dispositivo mágico. Para os pais de crianças autistas, ele realmente poderia ser. Especialistas dizem que a Apple iPad diminui os sintomas da doença, ajudando a tratar crianças com a sobrecarga sensorial da vida - em um sentido "curar" a doença, um pai diz. Isso é o que Laura Holmquist acredita, pelo menos. Seu filho Hudson tinha 8 ou 9 colapsos violentos por dia. Certa manhã, ele começou a gritar em seu quarto - e não parou até tarde da noite. A família de oito pessoas não puderam ir a eventos públicos ou para jantar fora e teve um tempo difícil se comunicar com ele. "O IPAD tem nos dado a nossa família de volta", disse Laura FoxNews.com. "É desbloqueado, uma nova parte do nosso filho que não tinha visto antes, e deu-nos a introspecção na maneira como ele se conecta com o seu mundo." Diagnosticadas com autismo cerca de dez meses atrás, Hudson de 3 anos de idade, é construído como um caminhão e tem um sorriso desarmante. Seu irmão, Zane é aproximadamente a mesma idade (ambos são aprovados) e pode perguntar para os brinquedos e dizer frases completas, mas Hudson tem problemas de comunicação sobre as necessidades básicas. "Originalmente, nós pensamos que ele não estava falando para nós, porque ele tem quatro irmãs mais velhas e que iria ajudá-lo", disse Laura. "Ele chama a atenção para as coisas sem perguntar para eles." Um terapeuta escola sugeriu o uso do IPAD Apple, surpreendentemente, o Holmquists dizer Hudson levou para o dispositivo imediatamente. Um amigo da família usou o site Chipin.com para arrecadar fundos para um novo iPad para ele, e Hudson, agora usa o diário IPAD como uma forma de jogar, comunicar-se sobre as idéias e até mesmo fazer puzzles. Laura diz que o tablet touchscreen é um dispositivo milagre. Os peritos pesam dentro especialistas em autismo, como a Dra. Martha Herbert, professor assistente de neurologia na Harvard Medical, e Stephen Shore, que escreveu o livro "Entendendo o autismo for Dummies", concorda sobre a utilidade do iPad. O distúrbio, que afeta tantos como uma das 110 crianças em os EUA de acordo com um estudo do CDC, significa que os filhos têm "nenhum controle sobre o ritmo de informações que chega até eles", disse Herbert FoxNews.com. "Eles não estão distraídos com o contexto." Com o IPAD, disse ela, a criança tem mais controle. Shore, que lutou com o autismo como uma criança, disse que a iPad pode ser a diferença entre se comunicar com o mundo exterior e que está sendo bloqueado em um estado fechado. Curiosamente, ele diz que pode ser o primeiro de vários gadgets que realmente uma criança livre de alguns efeitos do autismo - e que os dispositivos adicionais, incluindo aquelas que aumentam a expressão, também ajuda. Mark Coppin, o Diretor de Tecnologia Assistiva na Carlsen Anne Center, em Jamestown, Dakota do Norte - que utiliza o IPAD, no âmbito dos seus programas de educação especial - disse o IPAD permite que as crianças autistas têm controle direto sobre a interface, diferentemente de um laptop que usa um teclado e um mouse. Aplicativos como Proloquo2go por AssistiveWare fornecem uma maneira para as crianças com autismo para comunicar desejos e sentimentos de uma maneira que não seria possível de outra maneira, Coppin disse. Há pelo menos três dezenas de aplicativos projetado para crianças autistas inclusive para a música ea leitura. E o próprio dispositivo suporta texto falado e outras ajudas para aqueles com necessidades especiais. Areva Martin, um advogado que virou defensor autismo que tem um filho de 13 anos com autismo, disse que uma das razões mais importantes do IPAD funciona tão bem como um dispositivo de comunicação é que ela tem um "cool factor" muito alto e não fazer a criança ficar fora. outros dispositivos de comunicação, como os R $ 7.000 - chamam a atenção DYNAVOX $ 10.000, para a criança, disse ela. Perigos do uso do IPAD? Como acontece com qualquer gadget, excesso de exposição não é uma coisa boa. Como assinala Martin, toda a criança vai recuar em outro mundo, usando um Nintendo DS ou um Xbox 360. Ela disse que os pais de qualquer criança, autistas ou não, necessidade de controlar o quanto um gadget está sendo usado, semelhante à forma como eles usam doces como recompensa ocasional. Costa explicou que há uma oportunidade para pais e professores a se envolverem mais com a forma como a criança autista usa o IPAD. Atualmente, não existem aplicativos que permitem que um pai ou professor se conectar através de Bluetooth ou Wi-Fi para iPad da criança e participar no mesmo aplicativo. Ele diz que a participação ainda é crítica, porém, para evitar que o IPAD de ser apenas uma distração da vida normal. "Ainda assim, não há problema em usar o IPAD como uma distração", disse Shore. "As pessoas utilizam BlackBerrys em aviões desse jeito o tempo todo. Claro, eles não têm colapsos quando a bateria morre! Mas com a criança autista, pode ser a única forma de se comunicar e compreender o mundo exterior. "

Fonte; Foz news.com

Abraços Azuis

Daniela Bolzan

sábado, 14 de maio de 2011

Estudo desvenda diferenças no cérebro de crianças autistas - ( Daniela Bolzan)



As crianças autistas possuem mais matéria cinzenta do que as outras crianças nas áreas do cérebro que serão responsáveis pelo processamento social e pela aprendizagem através da observação. As conclusões resultam de um estudo divulgado hoje, em Chicago, durante o encontro anual da Radiological Society of North America.
As diferenças existem e foi possível observá-las com recurso a técnicas de imagiologia. “Os resultados apontam para a possibilidade da incapacidade de relacionamento das crianças autistas ser o resultado de um funcionamento anormal do sistema neurológico”, refere Manzar Ashtari, autor principal do estudo que trabalha num hospital pediátrico norte-americano (Children’s Hospital of Philadelphia).

Tudo estará relacionado com os chamados neurónios espelho, que são activados quando um indivíduo está a praticar uma acção ou a experimentar uma sensação ou emoção ou ainda quando observamos estes comportamentos nos outros. O estudo revelado ontem mostrará que as crianças autistas têm mais matéria cinzenta nas regiões dos lóbulos parietais que são implicados no sistema dos neurónios espelho.
O estudo envolveu 13 doentes do sexo masculino diagnosticados com autismo ou Síndrome de Asperger e com um QI (Quociente de Inteligência) superior a 70. Foi usado também um grupo de controlo com 12 adolescentes saudáveis, sendo que a idade média dos participantes rondava os 11 anos. Todos os sujeitos foram observados com uma técnica que permite visualizar o movimento das moléculas de água no cérebro. Esta técnica é vulgarmente utilizada para estudar a matéria branca no cérebro, bem como as fibras mas foi adaptada para incidir sobre as áreas de matéria cinzenta de forma a analisar alterações de volume.
Além das diferenças nas áreas de matéria cinzenta associadas aos neurónios espelho, os resultados do estudo revelaram que o aumento da camada no lóbulo parietal estava relacionado com os QI mais elevados no grupo de controlo mas não nas crianças autistas. “Nos cérebros das crianças normais, a maior quantidade de matéria cinzenta está associada a QI mais elevado mas nos cérebros das crianças autistas esta correspondência não se verifica porque a matéria cinzenta não funciona adequadamente”. As crianças autistas também mostravam uma redução significativa de matéria cinzenta na região da amígdala direita que explicará a profunda inaptidão social.
Mais estudos
A equipa de investigadores acredita que este mapeamento do cérebro será capaz de contribuir de forma significativa para a compreensão dos problemas das crianças autistas, sobretudo da percepção da estrutura e funcionamento cerebral. Ainda assim, o investigador principal admite que serão necessários mais estudos para conseguir compreender como funciona um cérebro de uma criança autista. “Se cada vez mais pessoas provarem que os neurónios espelho em geral estão envolvidos no cérebro de uma criança com autismo, será possível ter pessoas a pensar em formas de os fortalecer e dos os colocar a funcionar normalmente”, defende Manzar Ashtari.

As estimativas mais recentes da prevalência em Portugal apontam para uma criança afectada em cada mil. Em Março deste ano foi anunciada a participação de um grupo de investigadores portugueses no consórcio internacional Autism Genome Project, que visa identificar os factores genéticos relacionados com o autismo recorrendo a análise do genoma de milhares de famílias afectadas nos Estados Unidos e na Europa.
A equipe portuguesa inclui especialistas do Instituto Nacional de Saúde (INSA) Ricardo Jorge, do Hospital Pediátrico de Coimbra e do Instituto Gulbenkian da Ciência.
Durante os próximos três anos, o consórcio internacional previa investir mais 11,2 milhões de euros na análise do genoma para “identificar as alterações genéticas que levam a um aumento de susceptibilidade para o autismo”. Numa investigação premiada em 2005 [Prémio Pfizer de Investigação Clínica], os especialistas portugueses quiseram caracterizar a epidemiologia do autismo em Portugal concluindo que a prevalência nas crianças em idade escolar é 0,92 por cada mil crianças no Continente e de 1,56 por cada mil alunos nos Açores, com predomínio no sexo masculino.
Fonte: Federação Portuguesa de Autismo
abraços
Daniela Bolzan

sábado, 19 de março de 2011

Uma esperança para a Descoberta do autismo? - Postado por Daniela Bolzan

A visão mais detalhada da atividade neural humana já criada até hoje mostra on-line a ação de mais de 20 mil genes e revela raízes moleculares de doenças mentais, do pensamento e do comportamento.( Allan R. Jones e Caroline C. Overly
Atlas do cérebro.


Nunca se soube tanto sobre o funcionamento do mais sofisticado e misterioso órgão do corpo humano. Nos últimos anos cientistas descobriram quais áreas neurais são ativadas quando as pessoas realizam movimentos simples como levantar um dedo ou construções mentais complexas como fazer julgamentos morais por meio dos exames de neuroimagem. Mas para entenderem como o autismo se manifesta ou qual a melhor forma de tratar a depressão, por exemplo, os cientistas precisam conhecer os mecanismos moleculares internos das células que controlam a atividade cerebral. Os genes fornecem naturalmente as instruções para esses mecanismos. Agora, a equipe do Instituto Allen de Estudos do Cérebro, em Seattle, nos Estados Unidos, desenvolveu uma ponte de alta tecnologia entre a anatomia e a genética: um atlas interativo do cérebro humano que mostra, on-line, a atividade de mais de 20 mil genes.
Precedido por um mapeamento similar do cérebro de camundongo, a primeira parte do Atlas Allen do cérebro humano foi lançada em 2010. Segundo o diretor executivo do instituto, Allan R. Jones, doutor em genética e biologia do desenvolvimento, o material vai ajudar os cientistas a determinar rapidamente onde estão agindo os genes que codificam proteínas específicas, incluindo aquelas com mais possibilidade de ser afetadas por uma nova droga. Essa informação pode ajudar a prever efeitos terapêuticos de novos medicamentos, e seus efeitos colaterais. Com a mesma facilidade, poderão ser visualizados detalhes de determinada estrutura cerebral, como alguma região em que as imagens mostradas na ressonância tenham sido alteradas pela esquizofrenia, e descobrir que genes estão ativos nesse local, numa tentativa de obter o perfil genético do transtorno. Os interessados também poderão chegar a pistas fundamentais de funções cerebrais comuns como memória, atenção, coordenação motora, fome e até emoções como felicidade e ansiedade.

Direita: Nesta reprodução 3-D retirada do Atlas Allen do cérebro humano, os pontos indicam os locais em que um único gene se transforma, – geralmente servindo como modelo para uma molécula de proteína. (Cores quentes, como rosa, indicam alta atividade, e cores mais frias, como o azul, baixa.) Linhas finas visíveis na imagem da esquerda são fibras neurais. Os contornos das estruturas internas aparecem na imagem da direita. Esquerda: Neste modelo estrutural criado a partir de varreduras MRI, cada cor representa uma subdivisão do córtex cerebral

Os pesquisadores começaram mapeando o cérebro de um camundongo, significativamente menor e menos complexo que o humano. Vale lembrar que muitos cientistas testam hipóteses sobre o comportamento e doenças humanas em roedores. Esse atlas, que levou três anos para ficar pronto, revelou que pelo menos 80% dos genes de camundongos são expressos no cérebro. A porcentagem é muito maior do que diziam estudos anteriores. Na prática, tais descobertas sugerem que muitas drogas programadas para atingir proteínas em outros tecidos, como os do fígado e rins, podem afetar também funções cerebrais. Segundo Caroline C. Overly, neurocientista e diretora de comunicações do instituto, outro ponto forte do Atlas Allen do cérebro de camundongos e do Atlas do cérebro humano é permitir a observação de padrões de expressão de vários genes de todo o cérebro, um de cada vez, em grupos e em diferentes combinações.
Em março de 2009, depois de quase dois anos de planejamento, os pesquisadores estavam prontos para começar a construir o atlas, mas precisavam de um cérebro saudável, intacto e fresco – retirado e congelado rapidamente em até 24 horas após a morte. A doação chegou em julho de 2009, quando o órgão foi escaneado e transformado em uma imagem tridimensional. Na estreia do atlas, no ano passado, ele continha um conjunto de dados praticamente completo desse primeiro cérebro, incluindo quase 50 milhões de medidas de expressões gênicas. Com isso, os neurocientistas esperam que o atlas possa ajudar a responder a algumas perguntas como: Que mudanças ocorrem nas células cerebrais de crianças autistas capazes de reduzir a atividade da área de percepção de rostos? Como os genes que provocam crescente risco de Alzheimer afetam o funcionamento dos centros de memória? Em nível molecular, o que ocorre no interior dos neurônios do hipocampo e do córtex pré-frontal de uma pessoa com esquizofrenia?



O Atlas Allen do cérebro de camundongo aprofundou a compreensão dos cientistas. Anteriormente, eles dividiam o hipocampo – área associada à memória – em quatro compartimentos (acima), mas os novos dados mostraram que um deles (área verde, acima) é formado por nove seções distintas (abaixo 


A previsão de término é para 2013, mas nos próximos anos o atlas será expandido, com dados gerados a partir do cérebro de outras pessoas, o que pode revelar quais aspectos da química e da anatomia são compartilhados, e onde a variação individual ocorre. Além disso, os estudiosos planejam incorporar mecanismos de busca e ferramentas de visualização mais sofisticadas. “Mesmo estando ‘incompleto’, mais de 20 mil visitantes acessam os atlas e outros dados todos os meses”, ressaltam os neurocientistas.

Artigo retirado da Revista MENTE E CÉREBRO da edição do mês de março de 2011.
 Daniela Bolzan.

domingo, 13 de março de 2011

As amígdalas cerebrais de autistas - Daniela Bolzan


Dr. José Salomão Schwartzman é neuropediatra. Formado na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, especializou-se em Neurologia Infantil no Hospital for Sick Children, em Londres, e é professor titular de pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Há muita especulação sobre as alterações no circuito cerebral dos autistas. O que acontece no cérebro de uma criança que a faz comer arroz de uma determinada marca todos os dias? Ou selecionar certos tipos de alimentos, se limitando a tantos outros?
Segundo Dr. José Salomão Schwartzman  não chegamos ainda a esse nível de detalhamento, mas parece que ocorre um defeito nos mecanismos que controlam a morte dos neurônios. Ou seja, todos nascemos com mais neurônios do que vamos utilizar durante a vida. No entanto, entre dois e quatro anos, 50% deles são eliminados, porque para o sistema nervoso não têm mais serventia.
A maioria das crianças autistas possui o perímetro encefálico maior do que as crianças normais, diferença que desaparece depois dos quatro, cinco anos. Isso sugere que no período em que deveria ter ocorrido a poda neuronal, algum defeito em seu mecanismo prejudicou o processo.
Isso explica por que algumas estruturas do sistema nervoso do autista têm tamanho diferente. Já se falou muito no cerebelo, mas agora a suspeita recai sobre uma estrutura chamada amígdala, que faz parte do sistema límbico e é maior nos indivíduos autistas.
A amígdala é uma estrutura que está fundamentalmente envolvida no processamento das emoções e tem muito a ver com a memória social. No Mackenzie, o professor Marcos Mercadante, que trabalha com modelos animais, está fazendo uma experiência com ratos, mostrando que, se provocarmos uma lesão em determinada parte da amígdala, eles perdem a memória social. Claro que os ratos não se tornam autistas, mas passam a manifestar sintomas característicos do transtorno. Existem também evidências de que, com o passar do tempo, há uma redução no cérebro dos autistas provocada por defeito no circuito cerebral  e não por defeito anatômico
O problema está, então, em como os neurônios estabelecem sinapses uns com os outros,  está na maneira como eles se comunicam. Nesse sentido é que cabe discutir o tratamento medicamentoso, para modificar a ação dos neurotransmissores.
Investigadores norte-americanos concluíram que as crianças autistas tendem a ter as amígdalas cerebelosas hipertrofiadas, uma zona cerebral associada ao reconhecimento facial e às emoções, concluiu um estudo da Universidade da Carolina do Norte. Esta anomalia cerebral está alegadamente, relacionada com a capacidade de prestar atenção e de partilhar experiências com outras pessoas, acrescentam os cientistas. “Este estudo ajuda a clarificar o mecanismo cerebral associado às deficiências sociais dos autistas. O trabalho providencia pistas sobre a forma como este comportamento se desenvolve”, explicou o investigador principal Joseph Piven. Para este estudo, a equipe realizou ressonâncias magnéticas a 50 autistas e 33 crianças não diagnosticadas com a doença. Os resultados revelaram que os voluntários que sofriam de autismo tinham uma maior probabilidade de ter as amígdalas cerebelosas hipertrofiadas, entre os dois e os quatro anos de idade. No entanto, não foi detectada qualquer relação entre o tamanho das amígdalas e outros comportamentos sociais, como os gestos ou os rituais sociais. Já que as amígdalas cerebrais são responsáveis pelas emoções e percepção de características faciais, em autistas elas não são totalmente utilizadas como em pessoas sem o transtorno.

 Referências Bibliográficas:
http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/1360/autismo-ii/pagina4/circuitaria-cerebral
htttp://www.google.com.br/amígdalas em autistas

                                                                                                                                  

Como o cérebro Funciona? Daniela Bolzan


Até três décadas atrás, tudo o que podíamos fazer para estudar o cérebro era observar os sintomas de pessoas com lesões ou dissecar cadáveres. Agora, além de poder analisar como os genes dão origem às moléculas da nossa cabeça, os cientistas conseguem até ver ao vivo que áreas do órgão são acionadas de acordo com um tipo de atividade.
Não é à toa que, a cada mês, surge uma nova pesquisa sobre o cérebro. A maioria delas acompanhada da promessa da cura de doenças como Parkinson, Alzheimer, esquizofrenia, depressão e até mesmo do autismo. Logo após anunciadas, contudo, elas revelam o quão o cérebro continua misterioso: qualquer descoberta, por menor que seja, traz uma imagem tão inovadora do seu funcionamento que ameaça varrer várias teorias estabelecidas sobre ele.
Apesar disso, os neurologistas já têm pistas de seus mecanismos básicos. Eles sabem, por exemplo, que o cérebro funciona por inteiro como uma espécie de sistema integrado. Ao entrar em atividade, contudo, cada uma de suas partes consome mais (ou menos) oxigênio de acordo com sua missão. Assim, a amígdala é mais ativada na hora de lidar com emoções, assim como as áreas de Broca e Wernicke se agitam quando associadas ao uso da linguagem. Apesar de termos mapeado essas diversas funções, sabemos pouco sobre como elas interagem.
O problema é de escala: como cada ponto visualizado em uma imagem de ressonância magnética funcional – a tecnologia mais usada para ver o cérebro – representa um cubo com três milímetros de lado, os neurocientistas não têm a menor pista de como essas áreas se comunicam. É bem possível que, se conseguirmos estudar o órgão mais a fundo, perceberemos que suas áreas isoladas não passam de partes de um sistema único.
Uma das formas de decifrar essa comunicação é estudando os neurônios em laboratório. Os cientistas já sabem que essas células disparam potenciais de ação, pulsos elétricos gerados quando a membrana libera ou absorve átomos carregados magneticamente. Acredita-se que esses disparos sejam a principal forma de comunicação entre eles nas sinapses, os pontos onde as terminações de dois neurônios se encontram, e que seriam estimulados ou inibidos por algumas substâncias químicas, os neurotransmissores. Mas essa pode ser apenas uma das formas de comunicação. Já se sabe que, em alguns casos, os neurônios estão separados uns dos outros por apenas um furo. Em março deste ano, cientistas da Universidade de Copenhague, Dinamarca, propuseram um modelo em que a principal forma de comunicação entre essas células seriam ondas sonoras – e não a eletricidade.
Para piorar, nenhum desses circuitos é fixo. O que sabemos hoje é que o cérebro é bastante maleável. Ele não só produz novos neurônios a vida inteira (apesar de ninguém saber muito bem que uso eles têm), como modifica constantemente as ligações entre eles. Os circuitos que usamos para cada tarefa mudam com o tempo e com as atividades que desenvolvemos ao longo da vida.
Ninguém sabe também qual o destino final da interação entre as várias partes do cérebro. Pegue o processamento da visão, por exemplo, uma tarefa tão difícil que envolve cerca de metade do córtex, a maior e mais externa parte do cérebro. Sabemos que o olho codifica a luz em pulsos que chegam a uma estrutura no centro do cérebro chamada tálamo. Daí ela vai para o córtex, a princípio em uma área acima da nuca chamada v1 (de “visual 1”), depois se espalhando para as áreas mais frontais v2, v3, v4, v5 e, então... ninguém sabe. Como o cérebro usa esse processamento para dar origem à percepção ainda está além do nosso conhecimento.
O fato é que não temos um retrato fiel de como o cérebro processa essas informações. E talvez, no dia em que tivermos uma teoria como essa, teremos que reavaliar, mais uma vez, toda a sua estrutura de funcionamento. 
Iniciarei uma pesquisa que vocês verão a seguir aqui no blog sobre o funcionamento das amígdalas cerebrais que são responsáveis pelas emoções. Aguardem.
Abraçõs Daniela Bolzan